quinta-feira, 14 de março de 2013

SAIBA MAIS SOBRE OS INDÍOS GUARANI




No tempo em que os europeus chegaram à América do Sul, no século XVI, os guarani deviam ser mais de um milhão de pessoas e ocupavam um território de dezenas de milhões de hectares, desde o litoral de São Paulo, quase toda a região Sul, até parte da Argentina e uma larga parcela do Paraguai - onde, até hoje, o guarani é língua oficial, falada por muito mais gente do que o espanhol, principalmente entre os camponeses do país.
Apesar das similaridades culturais, os guarani nunca constituíram uma unidade sócio-política, mas, como acontecia no caso dos tupi, no litoral entre São Paulo e o Maranhão, quem aprendia a língua em um determinado local conseguia se comunicar com gente de quase todas as outras regiões.
Ao longo da história, as diferentes comunidades guarani tiveram variadas denominações. Atualmente, no Brasil, existem três grupos: os guarani mbya, no litoral do Sudeste e no Rio Grande do Sul, principalmente; os guarani nhandeva, ou simplesmente guarani, como eles se auto-denominam, no sul de Mato Grosso do Sul, interior do Paraná e de São Paulo; e os guarani kaiowá, que, em território brasileiro, são encontrados apenas no sul de Mato Grosso do Sul. No Paraguai, os kaiowá são conhecidos como pai tavyterã, e os nhandeva, por chiripá, ou ava katu eté. Em outros países, há mais grupos guarani, como os chiriguanos, na Bolívia.
Grosso modo, os mbya foram os guarani que formaram as missões jesuíticas, no século XVII. Os kaiowá, por sua vez, habitavam uma região muito erma, as densas florestas da serra do Amambai, onde hoje se localiza a fronteira entre o Mato Grosso do Sul e o Paraguai, entre os rios Apa e Miranda - era a chamada província do Itatim. Por causa das dificuldades de acesso, eles permaneceram praticamente isolados até meados do século XIX.
Depois da Guerra do Paraguai (1864-1870), que, em parte, teve como palco o território kaiowá, esses índios passaram a ter cada vez mais o contato com os brancos. Nos anos 1880, o governo brasileiro concedeu ao gaúcho Thomas Larangeiras o direito de explorar a erva-mate nativa numa vasta região entre o sul de Mato Grosso, o oeste do Paraná e o leste do Paraguai, com mais de cinco milhões de hectares de extensão.
Progressivamente, até os anos 1940, quando entrou em decadência, essa atividade incorporou os kaiowá e nhandeva da região à economia nacional, a partir da contratação de sua mão-de-obra no extrativismo, em troca de bens de consumo como o charque e o sal. Em seguida, entre os anos 50 e 70, os índios continuaram trabalhando na "limpeza" das fazendas de colonos vindos de todas as partes do país que se instalavam na região depois que Getúlio Vargas instituiu, em 1943, a Colônia Agrícola Nacional, em Dourados (MS).
As fazendas da região experimentaram grande impulso, principalmente a partir dos anos 70, quando a economia local se integrou ao mercado internacional, sobretudo com a soja e o gado de corte. Com a mecanização e a especialização em torno dessas atividades, a presença indígena nos fundos de fazenda passou a ser, na maioria dos casos, dispensável e indesejável.
A forma tradicional de organização social kaiowá e guarani se dá em famílias extensas (para entender o que é isso, imagine aquelas fotos de família que nós, brancos, conseguimos tirar poucas vezes na vida, quando se reúnem todos os tios, primos, netos, bisnetos...). Até cem pessoas moravam numa mesma casa, geralmente perto de um córrego ou rio, em uma região de floresta que oferecesse boa terra para plantio, caça e pesca. As famílias eram lideradas pelo casal mais idoso, experiente e que demonstrasse boas habilidades xamanísticas - para curar e manter a saúde das pessoas, além de boas lavouras e boa caça, todos sinais de uma boa relação com os deuses.
Cerca de três a quatro dessas famílias extensas habitavam a poucos quilômetros umas das outras, formando um tekoha, o que equivale a nossa idéia de comunidade. Embora não haja um pátio central ou casas próximas, essas famílias eram ligadas por casamentos entre seus membros e festas periódicas em que trocavam presentes e realizavam refeições conjuntas - o que mantinha seus laços de solidariedade, cooperação e amizade.
Nos anos 70, dezenas dessas famílias extensas, cada vez mais espremidas nos fundos de fazenda, foram levadas aleatoriamente para oito reservas indígenas que haviam sido demarcadas pelo Serviço de Proteção ao Índio, entre as décadas de 10 e 40. Essas reservas ficam propositalmente próximas das cidades da região, como Caarapó, Amambaí e Dourados.
O objetivo dessa demarcação era o de promover a progressiva "civilização" dos índios. No início do século XX, imperava entre nossa elite intelectual o pensamento evolucionista, segundo o qual esses povos "selvagens" estavam apenas num estágio "menos avançado" de cultura. Em contato com os brancos, eles naturalmente se tornariam como nós.
Com as famílias trazidas aleatoriamente para as oito áreas, os problemas nessas reservas foram se acumulando. A falta de espaço para plantar e a demanda cada vez mais intensa dos mais jovens por bens produzidos pelos brancos levou à intensificação da changa, o trabalho por contrato nas fazendas e nas plantações das usinas de cana que se instalaram na região.
Por exemplo, na reserva de Dourados, a maior cidade da região, no final dos anos 50, a população era de menos de mil pessoas. Hoje é de quase dez mil. Problemas como os altos índices de suicídios, violência e desestruturação de famílias nucleares podem estar relacionados a essa superpopulação, segundo avaliam antropólogos e historiadores.
Hoje, os cerca de 30 mil guarani e kaiowá do Mato Grosso do Sul ocupam cerca de 40 mil hectares. Dá pouco mais de um hectare por pessoa, ou cinco hectares para uma família nuclear. Os especialistas estimam que seriam necessários pelo menos 40 hectares por família para garantir o modo de produção tradicional, com uma agricultura de coivara com rotação dos terrenos. (Agência Brasil).



Caracterizando o Grupo Guarani

Índio é: “aquela parcela da população que apresenta problemas de inadaptação à sociedade, motivados pela conservação de costumes, hábitos ou meras lealdades que a vinculam a uma tradição pré-colombiana. É todo indivíduo reconhecido como membro por uma comunidade pré-colombiana que se identifica como etnicamente diversa da nacional e é considerada indígena pela população com que está em contato”²
Pode-se ir além das palavras de Darcy Ribeiro e dizer que o índio é aquela parcela da população que, assim como tantas outras populações culturalmente diferentes, busca no Brasil seu espaço entre a imagem romântica das literaturas e a imagem sanguinária e bárbara que têm no sertão. Ou ainda, o índio brasileiro é aquele povo de raízes tradicionais fortíssimas que quer espaço como uma cultura entre a imagem de vagabundo esperto que não faz nada e, contraditoriamente, a imagem do moribundo ignorante que pode ser enganado por leis, tratados e conversas obscuras, avessas à inocência de quem se cria confiando na terra e nos homens.
Muito se fez para que se criasse um ou mais critérios para a definição de índio: análises do critério racial, legal, cultural e econômico, sendo que todos apresentavam problemas, até que se chegou ao critério da auto-identificação étnica, na qual o índio, sejam quais forem sua localidade ou tradições pré-colombianas, é aquele que se considerar índio e que for considerado e identificado como tal pela população que o cerca. Um dos maiores grupos indígenas do Brasil é o Guarani.
A cultura indígena Guarani é reconhecida não só pelos vestígios cerâmicos quanto pelos vestígios religiosos, através de restos mortais encontrados em urnas funerárias. Além disso, outra comprovação da vida do índio em terras brasileiras já há muitos anos, pode ser encontrada nos relatos de viajantes, relatórios de presidentes de províncias e em terras com demarcações arqueológicas e acidentes geográficos em que se percebe a interferência humana³.
Contam os Guarani, que antes de serem Guarani havia um grande clã que, embora com medicina e tecnologia iguais, tinham divergências. Foi então que se deu a divisão em duas grandes partes: os Tupinambá, com ascendência ligada ao Sol, e os Tupi-Guarani, com ascendência ligada à Lua. Ou seja, suas formas de ver o mundo e de ditar as regras se diferenciaram (JECUPÉ, Kaka Werá, 1998). O grande tronco, mais populoso, é o dos Tupi-Guarani, de onde vêm os índios Guarani, que geralmente são os primeiros a serem lembrados quando se fala de índio no Brasil.
Os primeiros Guarani eram oriundos do Rio Guaporé, no norte do Brasil, e desceram o rio Madeira chegando à bacia do Rio Paraná e ao Paraguai e Argentina.
O indígena Guarani pode ser caracterizado por alguns aspectos básicos:* PELA LÍNGUA GUARANI. Ainda bem conservada em várias aldeias. Há casos de tribos em que as crianças aprendem o português só depois dos quatro a seis anos. Para eles, quando a criança aprende mais o guarani, está mais envolvida com a tradição e os ensinamentos da tribo.

* POR SER MIGRANTE. Às vezes, em busca de terra para uma melhor agricultura, mas, na maioria dos casos em que ocorre migração, o grande impulsionador das “caminhadas” Guarani é a busca da terra sem mal ou Yvy Maraney.

*TRABALHAR AGRICULTURA. Antes do “descobrimento” e de terem suas terras demarcadas pelo governo, eram migrantes. Porém, a terra colonizada nunca era abandonada completamente, ficando sempre alguns para tomar conta e assumir o local. Quanto à sua fixação, pode-se dizer que mesmo havendo acordos intertribais para delimitação da área de dominação para caça, pesca..., não eram totalmente respeitados estes limites e várias tribos resolveram praticar a agricultura com alguns pontos comunitários.

*VIVER UMA RELIGIÃO DA PALAVRA INSPIRADA. Apesar de toda tentativa católica jesuítica de total assimilação cristã por parte dos índios, ao longo de todos estes anos de contato, o Guarani mantém-se com sua religião da terra que ninguém morre, onde os falecidos ancestrais reúnem-se para proteger a vida dos que continuam na terra; religião passada oralmente de geração em geração, que prega o respeito humano aos seres da natureza: seus elementos e seus espíritos. Os Guarani, depois da invasão portuguesa e espanhola, foram dizimados, dominados ou refugiaram-se em terras interioranas para evitar o contato. Ou seja, um primeiro grupo destes índios foi incorporado pelas engrenagens da imensa e complexa máquina colonial ou nas inúmeras incomiendas espanholas. Neste caso, não se integravam na qualidade de membros, mas eram desgastados até a morte. Os índios eram obrigados a trabalhar na extração da erva-mate e na agricultura.
Um segundo grupo encontrou refúgio nas reduções dos missionários jesuítas espanhóis e portugueses. As crenças e hábitos indígenas eram ridicularizados pelos religiosos, que os obrigavam a vestir-se e trabalhar segundo as regras, que nada tinham a ver com o modelo de vida indígena. Muitos conseguiram, de forma camuflada, reproduzir-se culturalmente. Com o fim das reduções, esses Guarani foram vitimados e os que sobreviveram, já haviam aprendido ofícios, como a marcenaria, e não voltaram às matas, estabelecendo-se nos centros urbanos.
Outro grupo, um terceiro, conseguiu ficar fora do alcance das garras coloniais, escondendo-se nas densas florestas paraguaias. Os subgrupos Guarani que se formaram depois, devido a esta grande ruptura, descendem deste terceiro grupo. O grupo fugido que se esconde em matas paraguaias é chamado Guarani Caaguá, e é deste grupo que se formam os subgrupos que lutaram – e lutam – para manter sua cultura original quase intacta, que são os Guarani Mbÿa, Chiripá ou Ñandeva e os Paitvyterã ou Kaiowá.

Os grupos dividem-se de acordo com o tronco, dialeto e localização. Por exemplo, Guarani Ñandeva do Ocoy. O nome Guarani (assim como Kaingang ou Xetá) designa o tronco ou família da qual vieram a língua, os costumes domésticos e culinários, a religião e a organização hierárquica de um grupo. No caso dos Guarani, a diferença dos outros grupos é que se têm um tronco anterior, mais abrangente e que deu como herança sua língua que é o Tupi-Guarani. Daí vem o grupo Guarani.
Uma vez identificada a procedência histórica e hierárquica que caracteriza um conjunto de tradições, o grupo indígena adquire uma segunda nomenclatura, que vai identificar, por excelência, o dialeto da língua falada. Como estamos falando dos Guarani Ñandeva, que têm um dialeto próprio que o diferencia, além de algumas mudanças em relação aos outros subgrupos, quanto à forma de agricultura e de distribuição geográfica no território. Este grupo ocupava um vasto território que abrangia partes dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná e a região oriental do Paraguai. Uma parte da tribo Guarani Ñandeva encontra-se no Paraná, no município de São Miguel do Iguaçu e proximidades. Estes índios passaram por transições, mas parte de suas terras originais chama-se Ocoy e fica às margens do Rio Ocoy; por isso denominam-se Guarani Ñandeva do Ocoy, que caracteriza a família, o dialeto desta família e por fim o nome da reserva, ou seja: ao terem este nome estão designando a reserva e o dialeto de um tronco ou família a que pertencem.

Bibliografia:
¹ Carla Aline Kryszczun, cientista social e colunista do jornal O Pioneiro ² RIBEIRO, Darcy. 1957 ³ MOTA, Lúcio Tadeu. 1994
Claudio Renato,Pr.***


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(PROJETO MISSÃO INDÍGENA LATINO AMERICANO - P R O M I L A)

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